neveA Serra Catarinense é a região mais fria do Brasil. É o único lugar no país onde as temperaturas são bem baixas o ano todo. A neve é certa no inverno. Todos os anos a paisagem verde de araucárias torna-se branca e até as águas das cachoeiras congelam. É uma região de campos de altitude, florestas e grandes cânions. Nos campos, ficam as famosas pousadinhas charmosas  para o turismo do frio. Nós fomos no último fim de semana, agora em julho. Adoramos o passeio. A experiência foi fantástica. Saímos de Florianópolis na sexta-feira ao meio-dia. Já tínhamos programado parar em algum lugar para tomar um café colonial típico alemão. Pesquisamos bastante e pedimos informações, mas não haviam muitas indicações.

IMG_2543 IMG_2541Fomos olhando pela estrada e paramos, perto de Rancho Queimado (65 km de Floripa), no Café Schmitz, que nos chamou a atenção. Simplesmente maravilhoso. Uma pequena casinha no estilo alemão, com mesas postas de forma primorosa. No buffet tinha tudo o que você possa imaginar: canja, chocolate quente, pães caseiros, queijo colonial, salame artesanal, cucas, bolos, tortas, pudim, rocamboles e tudo mais. Pagamos R$ 28,00 por pessoa, mais a bebida. Achei o preço bom e recomendo bastante, valeu muito a pena.

IMG_2628Chegamos por volta das 18hs no hotel.
Apesar de ainda ser cedo, já estava bem escuro, pois no inverno o pôr-do-sol se dá por volta de 17:30. O hotel é composto por vários chalézinhos, de todos os tamanhos, distribuídos num lindo campo alto, onde há uma vista maravilhosa do vale. Uma natureza encantadora.

IMG_2578Nosso chalé era pequeno, somente para um casal, mas muito aconchegante. Há uma lareira, ofurô de água quente e cobertor elétrico, o que contribuiu bastante para a nossa curtição do fim de semana.

IMG_2549Já tínhamos reservado o restaurante Tempero da Montanha para o jantar às 20hs. Vimos a indicação do restaurante no programa do chef Olivier, na GNT. Fomos com uma alta expectativa e o restaurante não decepcionou. O restaurante é na própria casa das proprietárias Caciana e Liana. Elas são muito simpáticas e agradáveis. A casa feita de madeira de demolição, com o pé direito alto, cozinha americana e uma lareira compõe o charme do local. Há somente 8 mesas de casal e elas já nos confessaram que estão com reservas até novembro.

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Começamos o jantar com um vinho da região. O restaurante privilegia as vinícolas locais, tendo somente vinhos nacionais na carta. Pedimos o vinho Torii Merlot, 2010, que foi aprovado por nós. Recomendamos! De entrada foi servida uma sopa de alho-poró, perfeita para o friozinho. Como prato principal uma lasanha de pinhão, bem gostosa e ideal para provar os ingredientes locais. A sobremesa foi um pouco mais leve, uma maça ao vinho com sorvete de creme. O menu é fechado, sendo trocado a cada semana. Importante saber que elas não recebem cartões de crédito, somente dinheiro.

IMG_2573No sábado houve uma queda grande na temperatura. Ao levantarmos para tomar café-da-manhã e pegar o carro para ir até ao restaurante, vimos que estava fazendo 1,5 ºC. Para nós, nascidos em Brasília, que no inverno 19 ºC é frio, ficamos assustados com a temperatura. E bem felizes, afinal era justamente o que queríamos: uma experiência de viagem no frio. Fomos bem preparados, com bastante roupa de inverno.

IMG_2587Durante o dia de sábado fomos conhecer um pouco das vinícolas locais. Há inúmeras delas, umas maiores e outras nem tanto. Sugerimos que você faça uma pesquisa antes de ir e escolha quais gostaria de visitar, pois a variedade é grande.

abre-lugar-300-of7kEstávamos hospedados perto de Urubici (14 km) e as vinícolas que fomos ficavam mais perto de São Joaquim, a 60 km de distância. Começamos pela Villa Francioni. Já na chegada da vinícola você avista inúmeros parreirais e a bela casa em cima do morro. Há visitas guiadas com degustação de vinho pelo valor de R$ 30,00. Esse valor pode ser utilizado de crédito na compra de produtos da vinícola.

Vinícola Villa Francioni, Cantina,  Degustação De Vinhossaojoaquim - 0497O guia que apresenta a vinícola e explica toda a fabricação do vinho é extremamente preparado e simpático. Super interessante as suas explanações. Nada perde em relação às vinícolas de outros países que fomos. Ao final, é feita a degustação, que engloba um espumante, um vinho rosé, um vinho branco e dois vinhos tintos.

Todos com explicações do Sommelier. Achei tudo bem legal e organizado, mas sugiro que servissem um queijinho colonial para acompanhar, havia somente uns pãezinhos cortados, à mesa. Compramos duas garradas de vinho rosé, que é o carro chefe da casa, acrescentando somente R$40,00.

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De lá, fomos ao Vinhedos do Monte Agudo, que fica bem pertinho, apenas 1km de distância. Já havíamos reservado o pacote “Sunset”, que é uma degustação com frios, ao pôr-do-sol. Eles só trabalham com reservas e há também pacotes de almoço e jantar.

Chegamos um pouco adiantados então compramos um vinho e ficamos tomando à beira da lareira. A vista lá de cima é belíssima. O vinho foi indicação do pessoal do vinhedo e nós adoramos. Foi o eleito por nós como o melhor vinho que tomamos na Serra Catarinense. É uma mistura das uvas Merlot e Carbenet Sauvignon, da safra de 2008, no valor de R$80,00.

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O “sunset” foi uma experiência deliciosa. A tábua de frios servida estava especial: queijo colonial, provolone, salame e copa feitos na região e o pão caseiro estava fantástico. Comemos tanto que pedimos para repor o pãozinho.

Na degustação foi servido um espumante rosé, dois vinhos brancos e três vinhos tintos. Como esse vinhedo tem uma menor produção, o vinho branco e o tinto eram o mesmo, somente de safras diferentes. Do que já tínhamos comprado, provamos a safra de 2010, 2009 e 2008. Realmente a de 2008 é muito superior, tanto que é o dobro do preço das demais.

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Essas experiências contribuíram para acabar com o nosso preconceito em relação aos vinhos brasileiros. Sem dúvidas os países Europeus e alguns da América Latina como Argentina e Chile têm mais tradição na produção dos vinhos. Porém, o Brasil já está bem avançado no assunto e precisando que nós, brasileiros, os apoiemos.  optando por privilegiar nossas produções nacionais. Claro que um incentivo governamental e a diminuição na enorme carga tributária sobre a bebida acaba por tirar-nos da competição com o mercado internacional. Mas, tentamos fazer a nossa parte, não é mesmo?!

taberna-outono-2012À noite fomos jantar no restaurante A Taberna Bistrô. Foi muito recomendado por uma amiga. Ele fica dentro da cidade de Urubici. Acabamos nos atrasando para a reserva e achei a recepção da proprietária do restaurante extremamente rude. Ela já havia mandado SMS para perguntar se estávamos a caminho, mas não há rede de telefone no hotel, então não recebemos a mensagem.

ambiante-interno-bistro-urubici-04Achávamos que não teria tanto problema, afinal, se fizemos a reserva para as 20hs e não chegamos, que passasse a mesa para outros e pronto. Não gostamos nem um pouco do tratamento, até porque quando chegamos haviam várias mesas desocupadas. Bem, pedimos uma Paella da Serra, que vinha com filé bovino, suíno e frango. A comida estava bem gostosa, mas nada de espetacular.

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No domingo, infelizmente, já era hora de vir embora. Resolvemos almoçar antes de ir pra casa. Fomos na Estalagem Santo Antônio. O lugar é grande, espaçoso, bem rústico, mas bem legal. Eles servem carnes e trutas na parrilla. Não tínhamos reservado então tivemos que esperar um pouco. Logo sentamos, pedimos de entrada uma linguiça e uma provoleta (queijo provolone derretido) e a cerveja artesanal local Saint Bier Pielsen. Estava tudo muito bom, o provolone no ponto e a linguiça artesanal estava especial. Entretanto, a espera pela comida foi demais. Já estávamos impacientes. Demoraram por volta de 30 minutos para trazerem as entradas.

IMG_2633Como prato principal pedimos um Entrecort com arroz, batatas soutê, farofa e molho chimichuri, e uma Truta ao alho poró, com acompanhamento de arroz e purê de batatas. Se as entradas já demoraram tanto, imagina o prato principal… Demoraram mais de 1h para trazer. Já tínhamos desistido e pedido para cancelar tudo. Tínhamos ainda que pegar a estrada de volta. Achamos uma falta de respeito e comprometimento tanta demora. Quando o prato chegou, o Entrecort que pedimos ao ponto, veio torrado. O molho de alho poró da Truta tinha mais pimentão que qualquer outra coisa. Péssima experiência.

O atendimento foi muito cortês, pediram várias desculpas. Não cobraram as entradas para compensar os erros cometidos. Por isso, talvez, daria uma outra chance. Mas recomendo que você vá tomar uma cervejinha e peça os petiscos, que é o forte da casa.

Dicas

  • Vá preparado para o frio: leve casacos fortes, ciroula, luvas e cachecóis. Mesmo os homens, que não são tão friorentos, sentem falta desses itens.
  • Leve dinheiro. Como não há linha telefônica, a maioria dos lugares não aceita cartões de crédito.
  • Esqueça telefone, porque não pega. Nos hotéis e restaurantes tem wifi, mas as vezes funciona e as vezes não. Então vá desligado das tecnologias.
  • Se você tiver a oportunidade de ir com um carro 4×4 é melhor. Há muitas estradas de terra bem complicadas para andar com carro baixo (que foi a nossa experiência).
  • Prepare-se e reserve onde queira conhecer. Os lugares são bem pequenos, então, a chance de não encontrar vaga é grande.

Como chegar

  • Urubici fica a 170 km de Florianópolis. Você pode voar ao aeroporto Hercílio Luz e alugar um carro. Na BR 101 há a entrada para a BR 282, que dá acesso à Serra.

Onde ficar

Onde comer

O que fazer

Sou apaixonada por viagens, chopp, vinhos, restaurantes charmoso e tudo que seja muita curtição. Procuro sempre não julgar ninguém e respeitar as escolhas de cada um, afinal, pra mim, o que importa na vida é ser feliz.